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Jennie Kim: Fama, Identidade e Poder

Da infância fora da Coreia ao estrelato mundial com o BLACKPINK, Jennie Kim construiu uma trajetória marcada por visibilidade intensa, pressão pública constante e reafirmação contínua de sua identidade artística própria dentro do K-pop

Desde que surgiu ao público, Jennie Kim ocupa um espaço que vai além do de idol. Integrante do BLACKPINK, bombástico girlgroup de K-pop formado pela YG Entertainment, empresa responsável por outros grandes atos do gênero, como BIGBANG, 2NE1 e BABYMONSTER, ela se firmou como rapper principal e vocalista do quarteto, além de se destacar como uma figura singular dentro da indústria, conectando música, moda e representação feminina asiática em escala global.

Ao longo de mais de uma década de carreira, sua imagem profissional foi moldada entre técnica, carisma e uma exposição intensa, muitas vezes acompanhada de críticas e cobranças desproporcionais. Ainda assim, o caminho seguido se manteve consistente, transformando visibilidade em capital cultural e artístico.

A combinação entre formação rigorosa, vivência fora da Coreia do Sul e trânsito natural entre linguagens musicais fez com que se tornasse uma das personalidades mais reconhecíveis do meio. Sua atuação não se restringe ao palco: tudo o que envolve seu nome costuma reverberar amplamente, seja em lançamentos, aparições públicas ou debates dentro do fandom.

Mais do que um fenômeno de popularidade, ela representa um tipo de idol que sintetiza as contradições do K-pop contemporâneo: sucesso global, vigilância constante e a busca contínua por afirmar identidade própria em meio a expectativas coletivas. Nesse contexto, sua trajetória expõe não apenas conquistas individuais, mas também os limites e pressões impostas a quem ocupa posições centrais dentro da indústria.

Infância e Adolescência

Nascida em Seul, em 16 de janeiro de 1996, Jennie passou parte significativa da adolescência na Nova Zelândia, onde estudou e teve contato direto com a cultura ocidental. Esse período fora da Coreia contribuiu para sua fluência em inglês e para uma formação cultural híbrida, aspecto que mais tarde se refletiria em sua postura artística.

A experiência internacional teve forte impacto na forma como se comunica e se posiciona. Desde cedo, demonstrava facilidade em transitar entre referências culturais distintas, característica que se tornaria um diferencial importante dentro de um mercado cada vez mais globalizado.

Ainda moça, o interesse pela música e pela performance já se fazia presente. Diferentemente de uma trajetória construída exclusivamente a partir do treinamento técnico, sua formação envolveu igualmente observação, adaptação e absorção de múltiplas influências culturais.

Época de Trainee

O seu ingresso na YG Entertainment ocorreu quando era bem jovem, após audições que chamaram atenção pela segurança vocal e pelo carisma acima da média. Conhecida por seu treinamento rigoroso, a empresa exigiu anos de preparação em canto, rap, dança e idiomas, seguindo um modelo comum às grandes agências do setor.

Durante esse período, começou a ganhar visibilidade mesmo antes do debut oficial, participando de iniciativas internas e colaborações. Essa exposição precoce, no entanto, veio acompanhada de críticas e acusações de favoritismo, recorrentes em fóruns e comunidades on-line.

Um dos momentos mais relevantes do pré-debut foi sua participação no MV de “That XX” (2012), de G-Dragon, líder do grupo BIGBANG. Na produção, ela ocupa papel central na narrativa, demonstrando expressividade e presença de cena mesmo sem cantar.

https://youtu.be/j57IzkTFnT8?si=uDAD7DDe5oni5zoz

No videoclipe, a YG passa a delinear a imagem artística que a acompanharia nos anos seguintes. A estética aposta em uma figura feminina segura, observadora e distante dos arquétipos delicados comumente associados às idols da época. A sua presença é silenciosa, porém dominante, dispensando exageros a fim de atrair atenção.

O conceito do MV, de modo geral, constrói uma personagem que observa, julga e se impõe sem pedir permissão. Com figurinos sóbrios, postura confiante e olhar firme, surge uma espécie de “tomboy sofisticada”, que não se molda às expectativas românticas ou submissas.

Essa escolha estética antecipa a imagem de uma artista poderosa, consciente do próprio valor e confortável em ocupar espaços tradicionalmente masculinos, como o rap. Mesmo antes da estreia oficial, o clipe já sugere uma figura fora das convenções padrão do K-pop, capaz de performar força, atitude e controle narrativo.

https://youtu.be/VlxfVHKFuuA?si=Vpj0ayGCRXEbuWDz

Ao mesmo tempo em que funcionou como validação artística dentro da YG, essa participação intensificou a observação pública sobre a trainee, ampliando o hate e a pressão ainda antes do início formal da carreira.

Debut

Em 2016, Jennie Kim debutou oficialmente como integrante do BLACKPINK, grupo que rapidamente alcançou projeção internacional. Desde os primeiros projetos, sua atuação chamou atenção pela versatilidade entre rap e vocais, além de uma presença de palco imponente e consistente.

Dentro do quarteto, construiu uma identidade própria sem se sobrepor à dinâmica coletiva. Essa performance equilibrada contribuiu para a consolidação da imagem do BLACKPINK como um grupo de forte impacto visual e sonoro.

https://open.spotify.com/intl-pt/artist/41MozSoPIsD1dJM0CLPjZF?si=yXUEI_dfRH6PHkqcjGDANQ

Desde os primeiros lançamentos, como “Boombayah” e “Whistle”, a cantora se destacou pelas partes de rap, que ajudaram a definir a identidade sonora das meninas. Seus versos traziam uma mistura de autoconfiança, provocação e domínio cênico, funcionando quase como uma carta de apresentação.

Em “Boombayah”, por exemplo, o seu rap expressa a ideia de que, ao entrar em qualquer ambiente, todos os olhares naturalmente se voltam para ela, mesmo sem esforço. As letras, embora simples, traduzem uma personalidade segura, consciente do próprio magnetismo e confortável em ocupar o centro dos holofotes.

https://youtube.com/shorts/BPFmusxIV-U?si=8MVuR1IMxPIO1xz9

Nos MVs de “DDU-DU DDU-DU” e “Kill This Love”, constrói-se uma imagem de Jennie marcada por força, controle e autoconfiança. Em ambas as obras, sua presença é associada a símbolos de poder, postura firme e olhar dominante, reforçando a figura de um indivíduo consciente do próprio potencial. O rap surge como ferramenta central dessa construção, posicionando-a em um lugar de comando, distante de fragilidade ou hesitação.

Já em “Kill This Love”, essa persona ganha novas camadas ao ser atravessada por conflitos internos. A artista se apresenta como alguém que reconhece relações destrutivas e escolhe romper com elas, mesmo que isso implique dor. A narrativa visual combina força e sensibilidade, sugerindo que empoderamento envolve consciência e decisão, não ausência de feridas.

Por fim, em “Lovesick Girls”, a vulnerabilidade ocupa o centro da história. Ao cantar sobre estar “doente de amor”, a fragilidade emocional é exposta de forma direta. Diferente da aura dominante vista em outros videoclipes, aqui surge um rosto sensível e consciente de suas próprias contradições, evidenciando uma dualidade que se tornaria uma de suas marcas mais interessantes dentro do K-pop.

https://youtu.be/3l5jwqPT2yk?si=TvZdsWP5zI_xxbjZ

O debut marcou também o início de uma rotina intensa de promoções, turnês e atenção midiática. A partir daquele momento, ela passou a ser uma das integrantes mais observadas pelo público, consolidando sua posição como uma das figuras centrais do grupo.

Carreira Solo e Fatos Curiosos

Em 2018, Jennie lançou a canção intitulada “SOLO”, tornando-se a primeira integrante do BLACKPINK a estrear oficialmente em carreira individual. A música, em suma, aborda temas como independência, imagem pública e controle narrativo, dialogando diretamente com a pressão enfrentada desde o período de pré-debut.

O lançamento teve grande alcance comercial, consolidando sua capacidade de sustentar um projeto por si própria. A performance revelou uma identidade distinta daquela apresentada no grupo, com maior ênfase em atitude e narrativa pessoal.

Entre curiosidades menos conhecidas, ela já comentou apreciar cozinhar nos momentos livres e demonstrar interesse por fotografia, mantendo uma conta dedicada a compartilhar seus registros. Também acompanha de perto conceitos visuais, figurinos e propostas estéticas ligadas aos próprios projetos.

Outro aspecto relevante é sua proximidade com o processo criativo. Mesmo quando não aparece oficialmente creditada em composições ou produções, participa de discussões conceituais e decisões artísticas, reforçando um envolvimento que vai além da execução em palco.

It-Girl e Influência Cultural Global

Jennie é frequentemente associada ao termo it-girl, expressão em inglês usada para definir figuras midiáticas com forte impacto cultural e visual em todo o mundo. Suas aparições públicas costumam gerar repercussão imediata, com roupas e acessórios se esgotando rapidamente após serem exibidos.

Essa influência se estende a campanhas de moda, capas de revistas e editoriais internacionais. Ainda assim, fora dos palcos, a artista mantém uma postura reservada, buscando equilibrar exposição pública e vida pessoal.

Mais do que lançar tendências, seu alcance simbólico impulsiona debates sobre estilo, comportamento e identidade dentro do K-pop, ampliando discussões sobre feminilidade, força e autonomia feminina na indústria.

O impacto global de Jennie se manifesta de forma quase instantânea. Cada aparição, look ou acessório utilizado tende a gerar repercussão imediata, refletida em picos de buscas on-line, esgotamento de produtos e replicações nas redes sociais.

Esse fenômeno ultrapassa o fandom do BLACKPINK, alcançando públicos diversos e consolidando sua imagem como um dos principais vetores de tendência da cultura pop contemporânea.

Mais do que acompanhar movimentos da moda, a idol os provoca. A capacidade de transformar escolhas pessoais em referências globais reforça um tipo de influência que combina carisma, timing e reconhecimento, fazendo com que tudo o que envolve seu nome ganhe valor cultural e comercial.

Primeiro Álbum de Estúdio Solo: “Ruby”

Ruby” marca um ponto de virada na carreira solo de Jennie Kim. Mais do que um álbum de estreia, o projeto funciona como uma declaração de identidade artística, reunindo experiências pessoais, reflexões sobre fama e afirmação de autonomia criativa.

Cada faixa apresenta uma faceta distinta dela, transitando entre pop, hip-hop e R&B. As composições exploram temas como autoconfiança, exposição pública e relações mediadas pela notoriedade, sempre com a cantora no centro da narrativa.

O processo criativo contou com colaborações de peso, como Dua Lipa, Doechii e Dominic Fike. Cada participação foi pensada como um diálogo artístico único, ampliando o alcance internacional do trabalho sem comprometer sua identidade.

https://open.spotify.com/intl-pt/artist/250b0Wlc5Vk0CoUsaCY84M?si=6_ArPLRQTLCaLDsRMCmkow

Entre as faixas, “Like Jennie” se destacou como fenômeno global. A coreografia viralizou nas redes sociais e passou a ser replicada por idols de diferentes grupos, reforçando o impacto cultural da faixa.

O single alcançou ampla repercussão internacional, rendendo prêmios importantes e indicações relevantes, incluindo reconhecimento em premiações ocidentais, como o MTV Video Music Awards (VMA). O desempenho confirmou não apenas seu sucesso comercial, mas também a capacidade de dialogar com mercados diversos.

Para além dos números, o impacto de “Like Jennie” se refletiu na forma como passou a ser percebida globalmente. A música se tornou símbolo de afirmação identitária e confiança, sendo amplamente reinterpretada por outros artistas e criadores de conteúdo.

https://youtu.be/pm0nA8mNric?si=Jsp1Jbo9Dln2_XLl

No conjunto, “Ruby” apresenta uma artista mais consciente, menos preocupada em atender expectativas externas e mais interessada em sustentar uma voz autoral própria.

Legado em Construção

No final de 2025, Jennie voltou a chamar atenção com sua performance no Melon Music Awards (MMA), marcada por controle de palco, presença segura e uma identidade artística bem definida. O momento foi interpretado como reflexo de maturidade e domínio cênico após anos de carreira.

A apresentação reforçou discussões sobre a fase atual, mais voltada a escolhas conscientes e construção autoral. Analistas e público destacaram o número como um dos pontos altos da premiação, principalmente pela forma como o palco foi sustentado sem depender de excessos visuais.

https://youtu.be/mvnLt4dLwZQ?si=Af7OQjzJmtP2eVgn

Para este ano, cresce a expectativa em torno de novos projetos musicais e maior participação criativa. A cantora já sinalizou interesse em explorar formatos diferentes, possíveis colaborações e propostas que ampliem sua atuação para além do grupo.

Com uma trajetória ainda em desenvolvimento, Jennie Kim segue como um dos nomes mais relevantes do K-pop. Seu percurso equilibra sucesso comercial, exposição constante e uma construção gradual de legado dentro da indústria global.

Crédito da imagem em destaque: Tiago Dariano Slompo / © Todos os direitos reservados

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Tiago
Tiago
1 hora atrás

Muito legal o post